Próstata aumentada não é câncer. É uma condição benigna, muito comum a partir dos 50 anos — e que tem tratamento, inclusive quando a próstata é grande.
A hiperplasia prostática benigna, ou HPB, é o crescimento não canceroso da próstata. Como a glândula envolve o canal por onde a urina sai, esse crescimento aperta o canal e atrapalha o fluxo. Daí os sintomas.
Como se manifesta
- Jato urinário fraco ou que falha no meio
- Demora para começar a urinar
- Sensação de bexiga que não esvaziou
- Levantar várias vezes à noite
- Urgência e aumento da frequência durante o dia
Costuma se instalar devagar, ao longo de anos, e é por isso que tanta gente se adapta sem perceber — reduz o líquido à noite, mapeia banheiros, evita viagem longa. A rotina vai encolhendo em silêncio.
Quando não tratada, a obstrução pode levar a infecções de repetição, cálculos na bexiga, retenção urinária aguda e, nos casos mais avançados, comprometimento dos rins.
O que é o HoLEP
HoLEP é a sigla para enucleação da próstata com laser de Hólmio. A abordagem é diferente das técnicas que raspam o tecido em fatias: o laser separa o tecido que cresceu e obstrui da cápsula que o envolve, e o remove inteiro.
A comparação que costuma ajudar é a da laranja. As técnicas de raspagem retiram a polpa aos poucos, por partes. O HoLEP descola a polpa da casca e retira o conjunto. O tecido removido é enviado para análise.
Todo o procedimento é feito pela uretra. Não há corte externo, nem cicatriz.
Por que importa remover tudo
É o ponto que diferencia a técnica. Ao retirar todo o tecido obstrutivo, sobra pouco material para voltar a crescer — o que se reflete em índices baixos de necessidade de nova cirurgia ao longo dos anos.
Além disso, o laser de Hólmio cauteriza enquanto corta, o que reduz o sangramento durante o procedimento. Isso amplia as possibilidades de tratamento para pacientes que usam anticoagulantes, situação em que outras técnicas exigem mais cuidado.
O HoLEP é considerado independentemente do tamanho da próstata. Em glândulas muito volumosas, onde antes a alternativa costumava ser a cirurgia aberta, ele evita o corte abdominal.
Quando é indicado
Costuma ser considerado quando há sintomas moderados a graves que não responderam ao tratamento com medicamentos, ou quando já houve complicações — retenção urinária, infecções repetidas, cálculos, repercussão sobre os rins.
Nem todo aumento de próstata precisa de cirurgia. Muitos casos são acompanhados clinicamente ou tratados com medicação por anos. A indicação vem da combinação entre o quanto os sintomas atrapalham a vida, os achados dos exames e as condições de saúde de cada um.
O que esperar depois
A internação costuma ser curta e o cateter permanece por pouco tempo. É comum haver ardência e urgência urinária nas primeiras semanas, que diminuem ao longo da recuperação.
Um efeito que merece ser conversado antes: a ejaculação retrógrada, em que o sêmen segue para a bexiga em vez de sair pela uretra. É frequente após cirurgias de próstata, não faz mal à saúde e não afeta a sensação do orgasmo, mas interfere na fertilidade — e por isso deve ser discutido com quem tem planos de ter filhos.
Cada recuperação é individual, e as expectativas devem ser alinhadas na consulta, diante do seu caso.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento dependem de avaliação individual.
Dr. Ricardo Ferro
Urologista • Cirurgião Robótico — CRM 16.924 | RQE 9.630
27 anos de medicina, mais de 800 cirurgias robóticas e instrutor Proctor. Membro do conselho editorial do Open Journal of Surgery.
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